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quinta-feira, 22 de setembro de 2016

Obter financiamento no Brasil ou na Alemanha?

Troca de emails com leitora do blog:


Bom dia Sr Adler,


Meu marido e eu moramos na Alemanha já há muitos anos. 

Estamos querendo investir em uma pousada no Brasil.Porém estamos encontrando dificuldades para encontrar bancos que estejam dispostos a correr o risco de empresar o dinheiro para compra do imóvel/empresa no Brasil. 

O Senhor conhece algum banco que esteja disposto?

Grata e no aguardo,

Leitora  

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Cara Leitora,

O Brasil é notoriamente famoso por ser um país onde é muito difícil captar dinheiro para novos projetos. Os Bancos em geral só faze empréstimos deste tipo se o cliente apresentar excelentes garantias.

Provavelmente será mais fácil você conseguir crédito na Europa, explicando que o dinheiro será utilizado para um investimento no Brasil.

 Sem contar que os juros comerciais (empréstimos para empresa) no Brasil estão próximos a 25% ao ano, enquanto na Europa é possível conseguir 7%, ou até menos.

No mais, fico à disposição para ajudá-los em relação ao planejamento da operação, tributação, etc. 

Abraços, 

Adler

sexta-feira, 9 de março de 2012

As mudanças no Pagamento Antecipado de Exportações e as exportações do agronegócio | blog BioAgroEnergia

Da rede de blogs da EXAME:

Paulo Costa
Ninguém discorda que o maior problema que a economia brasileira vem enfrentando, já há um bom tempo, é a valorização de nossa moeda. Tanto afeta a receita gerada pelas nossas exportações, como desestimula o crescimento industrial do país, minado pelos efeitos das importações que chegam a nossos portos a preços irrisórios. Também há consenso entre nossos empresários e o governo de que é necessária uma intervenção forte e permanente das autoridades monetárias para levar este câmbio a níveis mais competitivos para nossos negócios. Acusar-nos de intervenção artificial no mercado é o que menos importa: quão natural é a maneira como os chineses administram sua economia, levando-a em poucos anos a ser a segunda maior do globo? Quão naturais são os movimentos do Banco Central Europeu, do FMI e outras instituições ao providenciar socorro aos países endividados na zona do Euro e ainda financiar grandes instituições bancárias européias para evitar sua derrocada? E vamos ficar por aqui, pois exemplos como estes estendem-se por toda parte.
Portanto, não há o que se reclamar das medidas que o governo vem tomando para conter a inevitável entrada de moeda forte (forte?) em nosso país, causadora inclusive de um crescimento pífio de nosso PIB em 2011. O  remédio mais recente, “meio” que repetido, foi anunciados na quinta-feira passada (1 de março) com a elevação da alíquota de Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) para 6% nos empréstimos externos com prazo de até três anos. O mercado deu de ombros… Neste caso a intenção clara foi tentar reduzir as operações de tomada de empréstimos no exterior por empresas brasileiras e estrangeiras que atuam no País e aproveitam as taxas de juros mais baixas para realizar captações em moeda estrangeira e reinvestir no mercado financeiro nacional.
Em seguida, Brasília “pegou pesado” e assustou toda a gente, em particular os exportadores, e de forma mais direta aqueles ligados ao agronegócio. Mudaram as regras dos pagamentos antecipados de exportação. O chamado PA** é um adiantamento de recursos ao exportador,em moeda estrangeira, previamente ao embarque das mercadorias, que podia ser feito porinstituições financeiras ou pelo próprio importador. As características que fazem com que este instrumento financeiro seja um dos favoritos dos exportadores é que pode ser negociado até 360 dias antes da data de embarque da mercadoria e, segundo o Ministério da Fazenda, o prazo médio das operações situa-se entre 2 e 3 anos.  Não ocorrendo o embarque das mercadorias dentro do prazo previsto em contrato, existia a possibilidade de conversão do pagamento antecipado em empréstimo (o que já era uma operação bem complexa e cara). Em seu formato original está claro que esta sistemática dá margem a muito ingresso que acaba sendo utilizado fora dos fins previstos, tornando-se em muitos casos moeda para mera arbitragem de juros. 
No entanto, o aumento absurdo do volume de ingressos de divisas no país em janeiro e fevereiro, sob a rubrica de Pagamento Antecipado, fizeram com que as autoridades monetárias anunciassem uma drástica mudança para operações de empréstimo externo de prazos até três anos, incluindo, a partir de agora, o Pagamento Antecipado, que passa a ter prazo máximo de 360 dias e a origem dos recursos deverá vir direta e exclusivamente do importador. As consequências podem ser muito danosas para a comercialização desta safra e o financiamento das empresas do agronegócio.  Muitos bons exportadores vão pagar a conta de empresas que se aproveitam de brechas dos regulamentos para fins indevidos. A aprensão é grande entre os grandes exportadores.
*o Pagamento Antecipado é mais conhecido no jargão do mercado financeiro como Pré-Pagamento às Exportações (PPE).
**não confundir com ACC (Adiantamento sobre Contrato de Câmbio) – ACC é uma antecipação de recursos em moeda nacional (R$) ao exportador, por conta de uma exportação a ser realizada no futuro.
Ilustração: “Eye of Providence on reverse side of the Great Seal of the United States, as seen on U.S. dollar bill.” – Foto de domínio público encontrada em commons.wikimedia.

quinta-feira, 25 de agosto de 2011

Os BRICS têm moeda forte - Adiantamento sobre contrato de câmbio (ACC) feito em moeda chinesa -

人  民  币
Ren Min BiComércio exterior não é para os fracos de coração.

Afinal, o exportador vende a mercadoria cotada em outra moeda e dependerá do câmbio do dia em que receber o pagamento para saber quantos reais receberá pela venda.

Numa operação simples, não é tão aterrorizante. Mas quando a empresa passa a fechar contratos internacionais de fornecimento contínuo em que os preços dos próximos 24 meses são fixados  hoje, o jogo fica bem complicado.

Na conta entram a cotação de uma cesta de moedas, o juro brasileiro, o juro internacional, os preços de frete, os ajustes do custo de produção e o imponderável custo Brasil.

Para evitar que as empresas tenham que fazer diversas operações de hedging (proteção) e operar com contratos de opções ou contratos futuros em bolsa, os bancos têm linhas de crédito próprias para financiar a exportação.

São os chamados ACC (Adiantamente sobre Contrato de Câmbio) e ACE (Adiantamente sobre Cambiais entregues).

Funciona assim: se vou exportar, pego um ACC no banco para financiar minha exportação. Recebo em reais agora e pagarei ao banco com os dólares que receberei assim que embarcar a mercadoria.

Se já embarque a mercadoria, mas vou receber em parcelas, pego um ACE no banco. Recebo em reais agora e pagarei ao banco com os dólares que for recebendo, à medida que o importador for pagando as faturas.

Mas quem disse que esse contrato tem que ser sempre em dólares?

BRICS têm moeda forte

No terceiro encontro entre países do BRIC, realizado em 2010, foi assinado um termo de cooperação entre os bancos de desenvolvimento e fomento dos 4 países (BNDES, China Development Bank Corporation,  Export-Import Bank of India e Vnesheconombank).   Texto integral aqui,

O objetivo deste memorando era viabilizar financiamentos entre os 4 países por meio das moedas nativas, sem o intermédio de dólares, euros ou "coroas" de qualquer tipo.

Pois bem, já vejo resultados.

O Banco do Brasil financiou exportações feitas para a China pela Companhia Brasileira de Metalurgia e Mineração (CBMM), empresa mineira especializada na extração de Nióbio. Esse financiamento se deu através de um ACC contra contrato internacional em RenMinBi. 

Ou seja, o Banco do Brasil financiou a exportação através de uma linha de crédito em moeda chinesa. (Que se chama RenMinBi, e não Yuan. Yuan é só a unidade de medida)

Espero que a moda pegue, pois isso tornará muito mais fácil e barato exportar para os outros membros do BRIC.

Se cuida, Dólar! O Brasil está abrindo as portas para outros colonizadores.