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terça-feira, 15 de novembro de 2011

Rússia se filia à OMC em condições mais favoráveis que a China


Eu já havia avisado, em outro post, que isto estava prestes a acontecer. 

Mas não achei que a Rússia iria conseguir negociar condições tão boas. Um verdadeiro golpe de mestre. Poderia servir de exemplo para o nosso Itamaraty, tão flexível que algumas vezes se enverga só por hábito. 

Vejam a notícia: 


 Rússia conseguiu limitar as concessões para abertura de seu mercado no acordo concluído ontem para se filiar à Organização Mundial do Comércio (OMC) durante a conferência ministerial de dezembro, em Genebra.

Após 18 anos de negociações, o pacote de condições foi fechado com o diretor-geral da OMC, Pascal Lamy, estimando que a abertura do mercado russos será significativamente maior do que os chineses fizeram há dez anos.

No entanto, entre vários negociadores a constatação é diferente. "A China sofreu exigências draconianas para ser sócio, enquanto a Rússia conseguiu um acordo bem mais flexível na maioria das áreas", disse um importante embaixador, enquanto na OMC a palavra de ordem era de "acordo histórico".

Na negociação para ser aceito como sócio, o país conseguiu ter o direito de estabelecer tarifa de exportação de 21% sobre o gás, produto do qual a Europa é dependente e que tem a Rússia como maior vendedor mundial.


Moscou obteve o direito de dar subsídio agrícola que poderá dobrar em 2012-13 em relação ao que concede hoje (US$ 5 bilhões), baixando depois para US$ 4 bilhões em 2018. Além disso, conseguiu não se comprometer em eliminar restrições na importação de carnes bovina e de frango.

A entrada de carnes no mercado russo terá tarifa menor através de cotas, mas as alíquotas tornam-se bem elevadas no que exceder o limite quantitativo imposto por Moscou. O período mais longo para redução tarifária, dentro e fora de cota, será para carne de frango, de oito anos, seguido por sete anos para importação de carros, helicópteros e automóveis.

A margem de manobra de Moscou também será grande para bloquear importação de carnes em geral. Vai manter as exigências de declaração dos produtos em pontos aduaneiros específicos.

No caso do açúcar, a tarifa de importação cairá de US$ 243 por tonelada para US$ 223. O compromisso russo é de liberalizar mais as importações já em 2012.

A Rússia era a última grande economia fora da OMC. Sua entrada significa que os outros 153 países da entidade vão ter melhor acesso a 141 milhões de consumidores. A Rússia importou US$ 248,7 bilhões no ano passado e exportou US$ 400 bilhões.

Moscou baixará as tarifas agrícolas na média de 13,2% para 10,8%. Para produtos industriais, passará de 9,5% para 7,3% também na média. Há dez anos, a China entrara na OMC baixando suas alíquotas de importação agrícola, que atingiam até 65%, para 15% na média, e no caso de produtos industriais, para 8,9% na média.

Agora, as regras comerciais russas terão de ser mais previsíveis e transparentes. E os países afetados poderão recorrer aos juízes da OMC no caso de práticas incompatíveis com as regras.

"O selo de qualidade da OMC é extremamente importante para investidores internacionais e é o que a Rússia merece", afirmou Lamy.

Maxim Medvedkov, o principal negociador russo, disse que o exemplo da China estimulou a Rússia a entrar na OMC. Na verdade, desde Brejnev a então União Soviética tentava paradoxalmente abrir negociações para entrar no sistema que facilita a liberalização econômica e comercial.

Medvedkov não quis responder sobre como a Rússia vai agora se posicionar na cena comercial. Mas as indicações são de que Moscou vai engrossar a fileira dos protecionistas, pelo menos na sua primeira fase.

Também está em aberto o impacto da filiação russa. A China pulou de sexta para segunda economia, tornou-se o maior exportador mundial de mercadorias e o segundo maior importador.

Há um sentimento de que a elite russa está menos inclinada a liberalismo econômico. Basta ver as condições duras para estrangeiros. A visão russa é de que as reduções tarifárias fazem parte de concessões aos parceiros, mais do que uma forma de estimular comércio e concorrência, como nota o pesquisador Dominic Fean.

No setor de serviços, os russos conseguiram, por exemplo, limitar a 50% a participação estrangeira em bancos. Atualmente, já há banco estrangeiro controlado por estrangeiros e esse direito será mantido, mas não mais repetido no futuro.

Quanto ao sensível setor automotivo, construtores vão manter o beneficio de importar peças com tarifa menor até 2018, o que dá uma margem competitiva importante em relação aos estrangeiros.



Por : Assis Moreira, de Genebra, Jornal “Valor Econômico”, 11/11/2011

terça-feira, 1 de junho de 2010

RÚSSIA INTEGRARÁ A OMC – FORTALECIMENTO DOS BRICs

Foi noticiado hoje que a Russia espera fechar negociações com os Estados Unidos para viabilizar sua entrada na OMC ainda este ano.

Está é uma notícia excelente. Com a entrada da Rússia na OMC, as relações entre Brasil, Rússia, India e China tendem a ficar fortalecidas, pois os BRICs ganhariam um foro permanente e formal para discutir assuntos comerciais, e não dependeriam somente de reuniões esparsas e específicas, como foram as duas últimas.

Por outro lado, o ingresso na OMC certamente trará à tona várias pressões reprimidas contra a economia russa, o que, no atual cenário, pode deixar o sonho da integração monetária entre os países BRIC como uma prioridade negligenciável.

Pessoalmente, eu acredito que o balanço final será positivo.

Para informação:

O ingresso da Rússia na Organização Mundial do Comércio vem se arrastando desde 1993. Várias rodadas de estudo já foram realizadas, sendo as últimas em 2004 e 2006, mas sem conclusão.

Há até pouco tempo, a Rússia planejava ingressar como parte de uma união aduaneira com Cazaquistão e Bielorússia, mas o projeto foi abandonado.

O Brasil e a Índia são membros da OMC desde 1995. A China ingressou em 2001.

RÚSSIA INTEGRARÁ A OMC – FORTALECIMENTO DOS BRICs

Foi noticiado hoje que a Russia espera fechar negociações com os Estados Unidos para viabilizar sua entrada na OMC ainda este ano.

Está é uma notícia excelente. Com a entrada da Rússia na OMC, as relações entre Brasil, Rússia, India e China tendem a ficar fortalecidas, pois os BRICs ganhariam um foro permanente e formal para discutir assuntos comerciais, e não dependeriam somente de reuniões esparsas e específicas, como foram as duas últimas.

Por outro lado, o ingresso na OMC certamente trará à tona várias pressões reprimidas contra a economia russa, o que, no atual cenário, pode deixar o sonho da integração monetária entre os países BRIC como uma prioridade negligenciável.

Pessoalmente, eu acredito que o balanço final será positivo.

Para informação:

O ingresso da Rússia na Organização Mundial do Comércio vem se arrastando desde 1993. Várias rodadas de estudo já foram realizadas, sendo as últimas em 2004 e 2006, mas sem conclusão.

Há até pouco tempo, a Rússia planejava ingressar como parte de uma união aduaneira com Cazaquistão e Bielorússia, mas o projeto foi abandonado.

O Brasil e a Índia são membros da OMC desde 1995. A China ingressou em 2001.