Aplicar dinheiro no CDB pela conta
da empresa ao invés de distribuir lucros e aplicar no CDB em nome do sócio. Essa
tem sido a primeira medida da maioria dos empresários para contornar o problema
da tributação dos dividendos.
Essa solução torta pode ser ainda pior do que pagar o
imposto, na minha opinião.
O acúmulo de dinheiro na empresa sem o objetivo de reinvestimento
na operação transforma aquele CNPJ num fundo de investimento ruim, com todas as
desvantagens possíveis do risco Brasil.
1.
A empresa carrega um saco
de dinheiro pronto para ser penhorado em ações trabalhistas e execuções fiscais;
2.
A tributação do
investimento via PJ é o pior possível, facilmente chegando a 34%;
3.
O excesso de lucro
acumulado cria incentivos perversos para os sócios minoritários: eles desejarão
forçar o saque de lucros, porque não atingem a marca de 50 mil por mês;
4.
Torna mais difícil a doação
das cotas aos filhos sem pagamento de ITCMD;
5.
Deixa o empresário vulnerável
a situações de partilha forçada. As mais comuns são dois tipos de divórcio. O
divórcio matrimonial e a briga de sócios.
6.
Finalmente, o dinheiro
acumulado vira uma tentação ao empresário. Ele vai querer passar gastos
pessoais no cartão de débito da empresa. Esses gastos vão ter uma tributação
total perto de 50% (parte devido ao reembolso do IBS/CBS e parte devido à
equiparação a salário).
A tributação dos dividendos foi pensada para colocar o
empresário numa situação desesperada.
As soluções disponíveis são difíceis, mas reais.
Passam por reestruturar a propriedade da empresa, colocando-a
sob fundos de investimento; mudar a forma de entrega dos dividendos, passando a
entregá-los como papéis financeiros isentos; e transformar parte da remuneração
em benefícios trabalhistas isentos VR e fundos previdenciários empresariais.
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