terça-feira, 5 de janeiro de 2021

Vacina indiana


Rússia, China e Índia desenvolveram vacinas a tempo. O Brasil não conseguiu.


Acho que o Brasil tem o potencial científico. Mas não tivemos velocidade.


O Brasil pretende gastar uns 5bi de USD com vacinas, para começar.


Se nós conseguíssemos vender uma vacina nacional para países que somassem população semelhante à nossa, poderíamos faturar outros 5bi só com ela.

5bi de dólares é mais do que toda a nossa exportação de café no ano.

Ou seja, se fôssemos mais ágeis, poderíamos adicionar à pauta comercial um produto que ombrearia facilmente com uma de nossas exportações mais tradicionais. 

Notaram também que, relativamente à Vacina, há uma competição feroz entre fornecedores americanos e chineses?

E que a escolha do fornecedor implica certo grau de alinhamento político entre os governos?

Nesse cenário, a vacina Indiana dá um refresco para a iniciativa privada, porque abre uma opção menos politizada.

segunda-feira, 4 de janeiro de 2021

Análise de cenário para 2021

 


Resumo: Será um ano de centralização política e econômica, que requererá muita inteligência e força.

 

O que dá para dizer sobre 2021 sem possibilidade de errar? Quais são os pontos de apoio firmes, que nos permitem ancorar na realidade. E como usar isso para tomar decisões?

Vamos vistoriar os dados que temos.

CORRENTE PRINCIPAL

  • Praticamente todos os governos (com exceção talvez dos países Africanos) se endividaram como consequência de pacotes econômicos.
  • Da mesma forma, quem tinha nas mãos os porretes do poder regulatório os manejou com gosto e vontade. Os poderes executivos e legislativos entraram 2021 estendendo (pela terceira ou quarta vez) a validade de muitas normas emergenciais e temporárias. Nesse clube temos a OMS, as organizações internacionais de aviação, os órgãos de saúde pública, os parlamentos etc.
  • Em relação à liderança intelectual, grande parte dos “think tanks” e universidades púbicas publicaram trabalhos louvando a atuação dos governos e, sobretudo, a tomada de decisões internacionais coordenadas.

Ainda sobre a posição das autoridades intelectuais, é notável que grandes representantes da classe científica e universitária aprovaram, como justas e boas, medidas duríssimas de controle social. Dentre elas a técnica do “tracing” (monitoração forçada de pessoas), o internamento compulsório adotada pela Nova Zelândia e medidas ainda mais autoritárias do que essas, adotadas por países da Ásia.

Após nosso giro rápido, dá para rascunhar que:

1.    Os governos endividados terão que cobrar mais impostos ou obter maior controle sobre a economia, como sempre acontece após grandes estímulos financeiros;

2.    Os órgãos regulatórios, estatais, paraestatais ou multinacionais, estão enfeitiçados por medidas que restringem liberdades e não dão sinais de que vão parar;

3.    A academia e a intelectualidade pública defendem as medidas de restrição, e invejam os países que restringiram mais do que o Ocidente.

A primeira conclusão, até aqui, é que há uma forte tendência à centralização política e econômica. Essa tendência incentiva os governos a restringirem liberdades e aumentarem impostos.

CONTRACORRENTE

Todavia, e felizmente, o cenário não se exaure aqui. Também podemos levar em conta indícios de uma certa resistência à tendência central. Essa resistência, embora bastante mais fraca, também traz consequências.

Nessa contratendência podemos incluir:

  • A fuga para ativos menos sujeitos ao controle governamental, notadamente ouro e bitcoin (aqui há um detalhe interessante: aparentemente, a incerteza quanto à extensão dos poderes do governo reduziu a busca por imóveis e favoreceu o bitcoin);
  • Alguns setores econômicos e alguns países (ou estados dentro de países) se rebelando contra a aplicação de normas restritivas globais;
  • O enfraquecimento de alguns blocos geopolíticos (ex: certo distanciamento entre Brasil e Argentina, um quase rompimento entre Índia e China)

A segunda conclusão, portanto, é que há uma tendência de descentralização, ainda que fraca e mal organizada.

CONCLUSÕES

Qual conduta a conjunção desses fatores sugere a um brasileiro vivendo o ano de 2021?

Essa é a pergunta fundamental, correto? De que valeria a análise se ela não instruísse o comportamento.

Resumindo a pergunta: o que fazer num cenário de centralização do poder político conjugado com restrições econômicas, no qual há uma pequena contratendência pró-flexibilização?

Para resumir o post eu não vou me alongar na demonstração. Vou partir direto para as respostas que encontrei.

1)     Estudar muito para ampliar a vantagem situacional

Momentos em que há dilemas éticos, regulatórios e políticos, justamente como os de agora, levam à paralisia.

Mas uma pessoa que faça a análise correta das probabilidades, dos riscos e da motivação dos agentes pode se posicionar numa “tocaia regulatória”. Ou seja, acompanhar as mudanças políticas e legais para atacar as oportunidades assim que elas se concretizarem. O mesmo vale para tendências estatísticas.

Há muitas situações prováveis aguardando para acontecer. Vêm à minha cabeça: consolidação (ou seja, falência em massa e posterior compra) de pequenas escolas; distribuição de vacinas particulares; um mercado latente de software antirrastreamento pessoal.

Estudar muito, com frieza, será o maior diferencial.

2)     A área de “valuation” vai ganhar importância

Há um potencial inflacionário, devido aos estímulos financeiros.

Ao mesmo tempo, ainda há muito dinheiro no mercado, resultado dos mesmos estímulos e do capital que ficou inerte em 2020.

Finalmente, há interesse por ativos seguros e um mercado pronto para ondas de fusões e aquisições.

Tudo isso sugere que a atividade de dar valor justo aos ativos crescerá em importância.

3) Internacionalização forçada

O dólar, no Brasil, tende a continuar alto.

A pressão internacional por padronização de normas é fortíssima.

A conjunção entre o poder executivo e o parlamento se alinhou para atrair investimentos estrangeiros (havendo divergência apenas quanto a qual a nacionalidade do estrangeiro que se quer atrair).

Não tem jeito. Em 2021 a atividade de exportação, a abertura para investimentos estrangeiros e a conformação às normas internacionais serão irresistíveis.

Por “conformação às normas internacionais” quero dizer que elas terão que ser levadas em conta. Idealmente, isso não implicará submissão total. Mas, na nossa posição, também não podemos almejar liberdade total.

A adaptação inteligente a este cenário permitirá a um profissional, ou a uma empresa, catapultar seu crescimento na rabeira das multinacionais (principais beneficiárias dos processos de centralização econômica).

Seguindo essas três conclusões, acredito que será possível aproveitar as oportunidades de 2021, minimizando a sensação de desorientação e o gosto amargo da subserviência.


segunda-feira, 21 de dezembro de 2020

Live sobre garantias jurídicas nos investimentos estrangeiros em agronegócio - Com Anderson Resende


Fiz uma live muito interessante com o Anderson Resende.

Tratamos das garantias para investidores não residentes que querem atuar diretamente no agronegócio, especialmente em projetos de intermediação de commodities e grãos. 


Link para o instagram: https://www.instagram.com/tv/CJEWORngPBf/?utm_source=ig_web_copy_link




quinta-feira, 17 de dezembro de 2020

Entrevista para a Band News - Oportunidades no mercado internacional

Tive a honra de ser entrevistado para o programa "Empresários de Sucesso", da Band News. 

A entrevista se concentrou nas tendências do direito internacional privado e nas oportunidades que as regulações internacionais estão criando para os empresários brasileiros. 


Espero que gostem. 



terça-feira, 15 de dezembro de 2020

Formei em direito. E agora?

Se você quer trabalhar na iniciativa privada, vai ter que tomar uma decisão:

1) Concorrer por bons empregos em escritórios estabelecidos ("big law") ou grandes empresas; 

Ou 

2) Atuar sozinho, num nicho específico e lucrativo.

PARA ATUAR EM GRANDES EMPRESAS E ESCRITÓRIOS GRANDES

Faça um portfólio bem bonito, encadernado. De preferência com papel de boa qualidade.

Coloque lá os principais trabalhos que já tenha realizado: contratos, petições, requerimentos, etc. (se não tiver realizado nada disso, gaste um mês em trabalho voluntário, para ganhar experiência).

Leve-o consigo para entrevistas de emprego, ou apresente-o voluntariamente para seus professores. Se não tiver contatos bons no mercado, tente comparecer a palestras e eventos e apresente a pasta para os palestrantes ou para os presentes.

Diga assim: "Essa é uma demonstração da qualidade do meu trabalho. Quero uma oportunidade para trabalhar com o senhor".

É das melhores técnicas que existem.

PARA ATUAR SOZINHO

Escolha dois ou três temas que sejam ao mesmo tempo difíceis e para os quais haja grande circulação de negócios no ambiente em que você vive.

Atenção: Não basta que o tema seja difícil. Direito dos satélites é difícil, mas é um mercado muito restrito. Direito aplicável a contratos de "influencer" é, simultaneamente, algo especializado e para o qual o mercado está fervilhando.

Escreva artigos bem práticos para as áreas escolhidas e divulgue-os na internet. Não tenha medo de entregar o ouro. Dê uma solução honesta, cheia de precisão e detalhes.

Visite alguns escritórios de porte pequeno ou médio e ofereça cooperação técnica na realização dos serviços, de modo que você atue como um tipo de consultor associado.

Em poucos meses, você deve ter um volume de negócios suficiente para permitir a ampliação das áreas de trabalho.

sexta-feira, 11 de dezembro de 2020

Inauguração da Coordenação Estadual das Relações Brasil-China na OABRJ | OABRJ

A OAB-RJ inaugurou um núcleo Coordenação Estadual das Relações Brasil-China. 

A China tem investido muito esforço na criação de órgãos que se relacionam diretamente com unidades federativas de outros países.

Esse tipo de fórum existe também entre a China e o estado de São Paulo, por exemplo.

Nos EUA há dezenas de iniciativas semelhantes. 




Inauguração da Coordenação Estadual das Relações Brasil-China na OABRJ | OABRJ


Inauguração da Coordenação Estadual das Relações Brasil-China na OABRJ

Solenidade de abertura e nomeação

Realização: OABRJ

Apoio

Consulado da China no Rio de Janeiro

FGV Escola de Direito

Firjan

CEBC

Câmara de Comércio e Indústria Brasil-China


Programação

Apresentação do plano de atividades

Eduardo Paes - prefeito eleito da Cidade do Rio de Janeiro

Felipe Santa Cruz - presidente da OAB Nacional

Luciano Bandeira - presidente da OABRJ

Chen Xiaoling - cônsul-geral adjunta da China no Rio de Janeiro

Camila Mendes Vianna Cardoso - presidente da Coordenação das Relações Brasil-China OABRJ

Thomas Law - presidente da Coordenação Nacional das Relações Brasil-China

Sergio Guerra - professor titular da Escola de Direito do Rio de Janeiro

Claudia Trevisan - diretora executiva do Conselho Empresarial Brasil-China 

Charles Tang - presidente da Câmara de Comércio Brasil-China

Evandro Menezes de Carvalho - coordenador do Centro de Estudos Brasil-China da Escola de Direito da Fundação Getúlio Vargas

Eduardo Salgado Viegas - vice-presidente de Desenvolvimento de Negócios e Marketing  na Concremat Engenharia e Tecnologia, do grupo China Communications Construction Company (CCCC)

Gisela Gadelha - diretora de Compliance, Jurídico e Gestão da Firjan

Uta Schwietzer - vice-presidente da Câmara de Comércio Brasil-China

Pricila Menin - chanceler nacional da Soberana Ordem da Fraterna Integração Brasil-China


Diretoria da Coordenação Estadual das Relações Brasil-China

Camila Mendes Vianna Cardoso

Wallace Way Teng Wu

Giselle Silva Farinhas

Leonardo Rzezinski

Membros/colaboradores/consultores

Andre Mendes

Bruno Barata

Bruno Gonçalves

Claudia Trevisan

Claudio Depes Tallon

Eduardo Andretto

Eduardo Viegas

Ellen Gracie

Evandro Menezes de Carvalho

Fernanda Chamma

Gabriel Quadros

Gisella Gadelha

Gustavo Mascarenhas

Janaína Gama

João Pedro Campos Lorenzo Fernandez

Jose Antonio de Souza Batista

Luciano Bandeira

Luis Felipe Salomão Filho

Luis Humphreys

Luiza Chang

Marcos Ludwig

Natalia Tang

Pedro Montenegro

Priscila Menin

Raphael Cabral

Sergio Guerra

Tais Bahia

Thalles Alcides 

Vitor Tostes


quinta-feira, 3 de dezembro de 2020

Evento: o direito dos negócios internacionais na era pós-COVID 19

Evento que vai comentar o livro de mesmo nome, organizado por alguns dos membros da comissão de direito internacional da OAB-MG. 

Tenho a honra de ser secretário da comissão e posso assegurar que os palestrantes entendem bem a teoria e a prática do que estão falando. 

Transmissão pelo youtube: https://www.youtube.com/channel/UCQC4Cl8CZGsz9Z9MfwC51lA




sexta-feira, 27 de novembro de 2020

Mercado saturado? Não na área internacional


Para quem mora num país pobre, o mercado nunca está saturado. Isso porque os países pobres sempre podem fornecer serviços mais baratos para os países ricos. Basta querer.

Pense: call center na Índia, mão de obra barata nas fábricas chinesas. 

Quando o país é grande o suficiente, isso também ocorre dentro de uma nação. Por exemplo: os médicos do Sudeste vão atuar no Norte. 

O Brasil sendo como é, apresenta essas assimetrias até em locais muito próximos. Quer ver? Os paranaenses gostam de trabalhar com mineiros, porque acham que os mineiros trabalham duro. 

Se você tiver abertura para atuar internacionalmente, pode muito bem vender serviços a um preço razoável para os países ricos e ainda assim ser hiper competitivo no mercado de destino. Você vai, em termos técnicos, fazer arbitragem do preço da mão de obra. 

Os brasileiros são “killers”, ou seja, são profissionais requisitados em sites de freelancers. Justamente porque trabalham muito bem e podem tirar vantagem do real desvalorizado. Veja um site como o “Fiver” e confira a quantidade de trabalhos que podem ser vendidos por lá. 

Até agora estou falando de modo genérico, estrutural. Se você parar para avaliar os serviços de alto valor e alta qualidade, verá que a situação é realmente muito interessante. 

Sites como o Gerson Lehrman Group, que permitem a venda de serviços de consultoria freelance, são suficientes para pagar as contas de uma pessoa. Eu mesmo já vendi muitos serviços por lá. 

E isso é só o mínimo do mínimo. Se partirmos para o campo de pessoas que se dedicam seriamente a exportar sua expertise, é fácil achar casos de brasileiros recém-formados que faturam 60 mil USD por ano (uns 25 mil reais por mês). Mas o sujeito tem que cumprir 3 requisitos: falar bem inglês, ter gana de trabalhar e ter algum conhecimento especializado. 

Mas qual é o jovem recém-formado que não tem essas 3 coisas? Talvez o inglês não esteja num nível ideal e precise melhorar. Mas, fora isso,  há uma massa enorme de engenheiros, programadores, ilustradores, economistas, administradores, contadores, advogados e afins que estão prontos para pegar no batente, seja qual for o serviço (o “job”).

Como o Brasil é um lugar muito duro, muitas dessas pessoas acabam recorrendo a bicos ou adotam profissões como motorista de Uber, etc. Trabalham num nível muito inferior à sua eficiência máxima. Mas não tem que ser assim. 

Com um pouco de orientação, um brasileiro pode competir pau a pau na prestação de serviços de alto nível no mercado internacional. 

Com a vantagem enorme de que seus serviços serão provavelmente muito baratos.

Este post foi só para introduzir a ideia. Aos poucos vou falar mais em detalhes das oportunidades para cada profissão. 


terça-feira, 24 de novembro de 2020

GEOPOLÍTICA SERVE PARA ALGO NA PRÁTICA?

Serve para as empresas não entrarem feito bobas em enrascadas insolúveis.
Vou dar um exemplo: desde 2018 eu venho acompanhando a situação de Hong Kong. Já dava para perceber que haveria uma virada de regime.
Aconselhei dois clientes meus a não abrirem empresas offshore em HK e os dois me agradeceram assim que descobriram que o sistema bancário e político lá na prática foi dominado pela China continental.
A clareza em relação a isso não chegou à mídia popular ainda, apesar de a situação já ser irreversível.
Os empresários que tomam decisões com base no noticiário ou nas revistas semanais sempre vão errar.
Lembrei-me disso porque os fundadores da STRATFOR, uma agência de análise geopolítica que vem ganhado destaque, lançaram um artigo defendendo a criação do cargo de Diretor de Geopolítica Estratégica para as empresas multinacionais. Seria algo como um diretor de compliance ou de finanças, mas voltado para a diplomacia corporativa e a análise de cenários.
Eles argumentam que a ordem internacional baseada em comércio livre acabou e que estamos entrando numa era muito mais complicada. Eu concordo.
Fica a dica de leitura: “International Business Needs Grand Strategy”, por Michael Hochberg e Leonard Hochberg.

https://assets.realclear.com/files/2020/11/1722_grand_strategy_for_businesrcd.pdf

sexta-feira, 20 de novembro de 2020

Os bancos estão abrindo conta de não residente?

Tenho recebido muito esta pergunta:

-Os bancos estão abrindo conta de não residente? Quanto custa?

A resposta é que estão sim. 

O custo fica entre 1 mil e 3 mil reais (custo inicial) e depois cerca de 80 reais de mensalidade.

Mas você tem que ir aos lugares certos e convencer o setor de compliance.


Eu falo muito sobre isso no meu curso: https://www.hotmart.com/product/passaporte-tributario/M39794775J