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quinta-feira, 6 de julho de 2017

PROCEDIMENTOS DE ASSINATURA DE CONTRATOS COM OS EUA (e outros países) DEPOIS DA CONVENÇÃO DA APOSTILA



Os contratos internacionais não são registrados em nenhum cartório universal ou mundial.  A ONU não tem cartórios (ainda bem, devo dizer).  Então, é sempre difícil ter certeza sobre a validade de assinaturas estrangeiras.

Até pouco tempo atrás, havia basicamente duas maneiras de se resolver isso.

Para contratos assinados no exterior, nós solicitávamos ao consulado brasileiro naquele país (seja Canadá, EUA, China, etc.) que legalizasse o documento. Isto é, que colasse um enorme carimbo verde no documento, atestando que o selo notarial (o “reconhecimento de firma”) que estava inserido no documento realmente era um selo notaria válido naquele país. Era uma espécie de confirmação indireta.

Em alguns casos, o documento poderia ter que ser carimbado por entidades federais do país de origem. Assim, documentos emitidos na América Latina costumavam vir com um reconhecimento de firma, um reconhecimento federal do reconhecimento de firma e , por fim, um selo do consulado brasileiro naquela país.

Para documentos assinados no Brasil, o procedimento dependia muito do rigor exigido pelo estrangeiro. Em tese, os reconhecimentos de firma poderiam ser confirmados pelo Ministério da Justíça/Relações Exteriores do Brasil e também pelos consulados respectivos. Mas, na prática, isso nem sempre acontecia.

COMO É AGORA?

Quando um documento estrangeiro vem de um país que adota a Convenção de Haia da Apostila, basta solicitar que o documento venha apostilado que ele terá validade no Brasil (validade no sentido de ser aceito como um documento, mas a Apostila não garante que o conteúdo do documento seja verdadeiro)

A Apostila é um selo quadrado, grande (e, sinceramente, bastante feio) que se adiciona ao documento original, normalmente sobre a assinatura do notário local, ou colado numa página anexa.

No Brasil, os cartórios de notas podem emitir a Apostila.

Em tese a Apostila deveria ser padronizada. Mas na prática não é bem assim. Nos documentos que tenho recebido de várias partes do mundo, algumas são redigidas na língua local, mais inglês e francês. Outras só em inglês. Os formatos também variam, de um quarto de página até uma página A4 inteira.

Alguns exemplos:






Para países que não são membros da Convenção, o procedimento antigo se mantém (ida ao consulado).

O que normalmente gera confusão é que a lista de países que fazem parte da Convenção segue um padrão muito enigmático. Na verdade, é preciso analisar caso a caso, pois não há um critério distintivo que facilite a memorização da lista, tal como dizer que países ricos fazem parte e países pobres não fazem.

Por exemplo: 

A Índia segue a Apostila, mas a China não.

Dentre os países que falam inglês, a Austrália e a Inglaterra (o Reino Unido) fazem parte da Convenção. Mas o Canadá, que fala inglês e é igualmente rico, não faz.

E quanto ao EUA? Eles fazem parte da Convenção da Apostila. 

Ou seja: para contratos com os Estados Unidos, o que vale agora é a Apostila. Tanto nos documentos que saem do Brasil para os EUA quanto nos documentos que chegam de lá.

Para finalizar, comento que na América Latina quase todo mundo adota o sistema da Apostila, inclusive nossos vizinhos Argentina, Uruguai e Paraguai. Também Chile e México.  Aliás, há muito tempo. Nós é que entramos no jogo atrasados.





terça-feira, 29 de outubro de 2013

Lavagem de dinheiro: um crime tão conveniente que merece até um cartaz de filme de terror




O CNJ tem a cara de pau de dizer que "todo cidadão tem responsabilidade sobre o dinheiro que movimenta". 

O engenho de propaganda é sinistro e alarmista (note as cores escuras, o ponto de exclamação, a linguagem que transmite urgência).

Para perder o medo, basta pensar que o próprio governo não o leva a sério. O governo aceita receber tributos advindos de ganhos com atividades criminosas. Além disso, prefere confiscar o dinheiro de organizações criminosas, ao invés de tentar devolvê-los às vítimas originais. 

Para o governo, pecunia non olet (dinheiro não cheira mal). Mas ele quer tornar o cidadão um investigador estatal, responsável por avaliar a origem de cada nota que manuseia. 


Eu até poderia acreditar nas boas intenções do governo ao publicas este tipo de lei, se não fosse o seguinte:
 


i) as convenções internacionais sobre lavagem de dinheiro têm sido utilizadas para facilitar que os governos violem o sigilo fiscal dos governados;

ii) devido a legislações desse tipo, países como Inglaterra e Alemanha têm limitado o alcance do sigilo entre advogados e clientes. Ou seja: advogados passaram a ser obrigados a denunciar os próprios clientes; 

iii) essas leis buscam restringir o comércio em espécie de obras de artes, pedras preciosas, etc., o que só reforça o monopólio estatal sobre a moeda; 

iv) embora os objetivos declarados das leis e convenções contra a lavagem de dinheiro sejam a redução do tráfico de drogas e de outros tipos de comércio ilegal, verifica-se que o volume de drogas consumido só aumenta. É um indicativo de que o estado não está utilizando a lei para sua função original, mas sim com fins de coletar inteligência, fiscalizar contribuintes, etc.


VOCÊ DEVE SEGUIR A LEI. Não é porque ela é injusta que você ganha imunidade. Mas obedecer é diferente de venerar. Obedeçamos, porque somos obrigados. 

Mas, ao ver uma peça de propaganda  alarmista emitida pela assessoria de imprensa de um poder que deveria ser pautado pela moderação, não se deixe influenciar pela paranoia.

O governo está investindo muito dinheiro para que você não confie em mim. E está fazendo leis tentando restringir o seu direito de confiar em mim.

Por que será?





RESTANTE DA NOTA OFICIAL:


A Lei n. 12.683, de 9 de julho de 2012, tornou mais eficiente a persecução penal dos crimes de lavagem de dinheiro. O combate a esse crime é importante porque ajuda a cortar o fluxo financeiro de organizações criminosas. Nesta terça-feira (29/10), o CNJ e as demais instituições integrantes da Estratégia Nacional de Combate à Corrupção e à Lavagem de Dinheiro (ENCCLA) se uniram ao Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crimes (UNODC) para lançar o Dia Nacional de Prevenção à Lavagem de Dinheiro. Saiba mais: www.cnj.jus.br/87gd.

quinta-feira, 28 de março de 2013

CNJ começa a se desgastar. Eu regozijo e folgo em saber

O melhor de ser um pessimista é que, mesmo quando as coisas dão errado, a gente pode dizer que tem razão. 

Quando criaram o Conselho Nacional de Justiça, eu logo fiquei ressabiado. 

Pensei: Vai ser outro órgão corporativista, e desta vez super poderoso. Quando os juízes aprenderem o caminho, nunca mais vai haver uma condenação por mau procedimento. 

No começo, fui criticado. Os idealistas da ética diziam que o CNJ iria resolver tudo, moralizar, punir, permitir melhor acesso à justiça, etc. Ainda, beatificaram uma ministra que andou apontando "bandidos de farda". E elevaram um ministro ao posto de super heroi de capa preta, porque ele disse que vai perseguir os juízes corruptos e melhorar o acesso à justiça (custe o que custar...)

A notícia abaixo me traz enorme felicidade: até agora, estou ganhando. 

É sempre reconfortante quando as previsões baseadas na ciência política e na ciência econômica dão certo. 

Agora só falta o governo aumentar o PIS/COFINS sobre a importação de serviços, e terei acertado todas as previsões para 2013 (ops, não demorou nada. Veja esta atualização)

RAIO DE ESPERANÇA: Não há esperança. Qualquer reforma para melhorar a justiça brasileira demorará 10 anos para surtir efeito, e não há nenhuma reforma de grande porte em andamento. Lembrem-se de que a reforma da educação está atrasada 30 anos, e a educação é muito mais prioritária. 


Usem a arbitragem. 




CNJ ELEVA GASTOS E REPRODUZ VÍCIOS DOS TRIBUNAIS


Conselho sofre com processos lentos, pressões políticas, inchaço da máquina, despesas crescentes e pequenos, mas simbólicos, malfeitos

27 de março de 2013 | 23h 40

Felipe Recondo - O Estado de S. Paulo



BRASÍLIA - Criado para combater vícios da magistratura e melhorar a gestão do Judiciário, o Conselho Nacional de Justiça (CNJ) começa a reproduzir os mesmos problemas dos tribunais brasileiros. São processos que andam a passos lentos, pressões políticas, inchaço da máquina, aumento de gastos com passagens aéreas, contas de telefone e diárias, além de pequenos, mas simbólicos, malfeitos, como o uso de carro oficial por ex-conselheiros.

Dados pedidos pelo Estado com base na Lei de Acesso à Informação mostram, por exemplo, aumentos progressivos nos gastos com diárias, passagens, auxílio-moradia e ajuda de custo, como pagamento de despesas de mudança. Com pagamentos de mudanças de servidores ou juízes convocados para trabalhar em Brasília, o CNJ gastou mais de R$ 1 milhão em 2012.

Com auxílio-moradia para servidores convocados ou juízes auxiliares, as despesas subiram de R$ 355 mil em 2008 para R$ 900 mil no ano passado. Em valores corrigidos pelo Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) acumulado no período, o gasto mais do que dobrou.

Os gastos com diárias praticamente quintuplicaram em quatro anos. Em 2011, o conselho despendeu R$ 5,2 milhões com o pagamento para servidores, conselheiros e juízes auxiliares que viajaram para participar de seminários, reuniões, workshops, projetos ou para tocar as dezenas de programas do conselho.

Viagens. As despesas com passagens de avião também aumentaram progressivamente em razão da ampliação de programas. Em 2008, foram gastos R$ 901 mil com viagens aéreas. O valor subiu para R$ 2,3 milhões no ano passado. Mesmo quando corrigido pelo IPCA, o valor de 2008 é a metade do gasto de 2012.

Reservadamente, conforme assessores, o presidente do CNJ, ministro Joaquim Barbosa, critica a quantidade de programas e projetos abertos no conselho e que demandam gastos com passagens e diárias. De acordo com esses assessores, Barbosa considera que os conselheiros se valem desses programas para se autopromoverem.

A lista de programas inclui ações voltadas, por exemplo, para doação de órgãos, combate ao crack e gestão socioambiental. O site do CNJ já indica a quantidade de projetos em curso no órgão. O link "Programas de A a Z" mostra que há programas na área fundiária, de saúde, meio ambiente, direitos humanos, capacitação e execução penal.

Alguns deles geraram impactos positivos e serviram para suprir lacunas nem sempre supridas pelo Executivo. No entanto, estão em compasso de espera. Um dos programas foi voltado para dar efetividade à Lei Maria da Penha. Assim que entrou em vigor, a lei foi contestada inclusive em decisões judiciais.

Os mutirões carcerários também sofreram uma paralisia. Há mais de três meses o CNJ não faz uma inspeção em presídio, mesmo com a crise que atingiu o sistema carcerário de Santa Catarina no início do ano.

Aos gastos elevados, verificados pelo CNJ em vários tribunais do País, somam-se duas novas suspeitas. Na semana passada, o Estado revelou o pedido feito pelo então conselheiro Tourinho Neto para que um colega julgasse rapidamente um processo de interesse de sua filha.

E partiu de um conselheiro a denúncia em plenário de que o CNJ estaria protegendo poderosos e punindo apenas juízes sem ligações políticas.

"Quem tem poder alto tem dificuldade de ser punido nesse plenário", afirmou o conselheiro Jefferson Kravchychyn, representante da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), em sessão no início do mês.


FONTE: Blog Mazelas do Judiciário