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sábado, 24 de fevereiro de 2018

Abrir empresa no Paraguai ou usar o Drawback?


Leia também: Como abrir empresa no Paraguai

Um leitor do blog me pergunta se valeria a pena abrir uma empresa no Paraguai somente para industrializar peças importadas da China e depois exportar o produto final para os EUA. 

Respondi o seguinte: 


Se o destino de sua produção são os EUA, pode ser que valha a pena você produzir no Brasil, em alguma zona de fomento industrial. Poderia ser a SUDENE ou a Zona Franca de Manaus. 

Digo isso porque, em termos tributários, se você importar para logo em seguida industrializar e exportar então a produção no Brasil seria basicamente neutra em termos tributários. É o sistema chamado DRAWBACK Suspensão. 

Nele, os insumos são importados sem pagar tributos. A norma se aplica inicialmente a tributos federais, mas há um convênio que expandiu a norma também para o ICMS, que é estadual.  Então, a importação não pagará II, IPI, PIS/COFINS, ICMS. 

A exportação, como sempre, não paga os tributos sobre valor agregado (IPI, ICMS, PIS/COFINS)

Por conta disso, a empresa brasileira trabalhará basicamente com custos trabalhistas e com os tributos sobre renda/lucro.

Dessa forma, a comparação com o Paraguai deveria ser feita levando em conta os custos diretos de produção no Paraguai: custo trabalhista, burocracia, imposto de renda, etc. 

Além disso, é preciso levar em conta o imposto que o Brasil vai cobrar quando o lucro da empresa paraguaia regressar para os sócios que moram no Brasil. 

Estou apresentando um cenário resumido, já que o planejamento completo levará em conta outros detalhes.  Mas quero chamar sua atenção para o fato de que o tema tem mais desdobramentos do que parece. 


quarta-feira, 5 de julho de 2017

COMPRAR EMPRESA EM MIAMI E O USO DO ESCROW

 
Esses dias, estive ajudando um cliente brasileiro a comprar uma empresa nos EUA, em Miami. É o que o mercado chama de Aquisição.

A negociação correu bem, conforme o script. Due diligence (revisão de documentos), muitas revisões e adaptações do contrato de compra e venda da participação societária, negociações entre advogados, etc.

O que me chamou atenção foi a ênfase que a outra parte colocou na necessidade do depósito de um sinal.

O que nós chamamos de sinal, ou arras, no Brasil, tem uma importância cultural e negocial muito maior nos EUA.

Por lá, o depósito do sinal é que demonstra que o negócio está fechado.

Vocês já devem ter visto em algum seriado americano ou em algum filme a cena em que um artista iniciante, ou um corretor de imóveis, ou um inventor com uma ideia revolucionária, exibe um cheque e diz: “Venci. O negócio está fechado”.

Este cheque faz as vezes do sinal. É o pagamento inicial, às vezes mínimo, de 1% a 5% do valor do negócio, mas que dá a segurança psicológica e negocial para as partes.

E o que é ESCROW?

Escrow é um tipo de contrato de depósito. O agente do Escrow recebe o dinheiro de uma das partes e só libera o dinheiro para a outra parte depois que receber prova de que as obrigações daquela parte foram cumpridas.

No Brasil, isso não se usa. Mas nos EUA o instrumento é muito comum. Quase toda transação imobiliária vai ter um agente de Escrow, que vai concentrar e depois distribuir o dinheiro devido ao banco, ao corretor, ao vendedor da casa, etc.

No Brasil, só vejo este tipo de contrato de depósito acontecendo de verdade em transações de grande porte, como Parcerias Público Privadas ou grandes empreitadas, do estilo de construção de usinas, grandes obras de engenharia, e similares. E sempre são grandes bancos que gerenciam as contas de Escrow. E o serviço é difícil de contratar e custa muito caro. A última transação de contratação de Escrow da qual participei levou meses (tivemos que convencer o banco a nos vender o serviço).

Nos EUA, porém, o serviço pode ser prestado muito livremente por advogados, corretores e por milhares de pequenas e grandes empresas especializadas nisso. Sempre tem uma “portinha” que faz isso. E não custa caro.

RAZÕES CULTURAIS

E por que esta confiança no sinal, depositado para uma empresa de Escrow?

Eu tenho meus palpites:

  •                  No Brasil, o negócio só está concluído quando o contrato está muito formalizado, cheio de carimbos e cheio de garantias (fianças, pagamento adiantado, etc.), porque o inadimplemento contratual é frequente e a execução judicial é difícil. Então, assinar não é garantia. Receber sinal também não. Garantia é receber o pagamento integral.

  •                    Nos EUA, o negócio está concluído quando as partes estão de vontade firme em relação a ele. Como a execução judicial é rápida, a ideia de simplesmente descumprir o contrato não é atraente. O sinal serve, assim, para indicar ao negociador que ele realmente “venceu a batalha de ideias”. Ou seja, que conseguiu um negócio.


Essas razões não são só culturais, mas também econômicas e podem ser explicadas, de certa forma, pelo direito econômico e por algumas teorias microeconômicas. 

Vale ressalta que, sob este aspecto, os indianos e latinos são muito parecidos com os brasileiros.

Já os chineses focam muito no depósito inicial, e se parecem mais com os americanos.


terça-feira, 7 de março de 2017

Presidente Trump NÃO extinguiu o visto H-1B



Reproduzo comentário do Dr. Piquet, meu correspondente em Miami:



Ao contrário do que muito gente tem entendido, na última semana o Presidente Trump NÃO extinguiu o visto H-1B, apenas suspendeu temporariamente a opção do processo acelerado. Na prática não faz muita diferença para novos pedidos pois sendo aprovado em 15 dias (acelerado) ou 90 dias (convencional) o beneficiário do visto só pode começar a trabalhar em 1 de Outubro, que é o início de cada ano fiscal.

http://www.piquetlawfirm.com/

terça-feira, 18 de fevereiro de 2014

Abrir empresa no exterior ou manter os recebimentos no Brasil?

Querem ver as consequências práticas da MP 627?


Prezado Adler,

Hoje estava procurando informações sobre remessa de dinheiro de fora do Brasil para dentro, e encontrei informações bem úteis no seu blog.

Estou montando uma empresa que presta serviços para empresas de fora do Brasil. Esses clientes possuem contrato comigo, mas eu contrato outras pessoas que prestam o serviço para minha empresa aqui no Brasil.

Minha dúvida é: Seria melhor eu abrir a empresa nos EUA, receber dessas empresas, e pagar de lá meus fornecedores através de notas fiscais de serviços que eles prestam pra mim?

Negocialmente, é mais fácil para meus clientes terem um contrato com uma empresa nos EUA. Traz mais confiança também. Fora que se eu trago o dinheiro pra mim, e depois tenho que pagar para meus fornecedores, a impressão que tenho é que além de ficar com todos os custos de transação, também pagarei mais impostos.

Estarei sempre indo para os EUA, já visitei contadores de lá, então não vou ter problema com abertura de empresa e conta.

Agradeço sua atenção.

Obrigado


XXXXXXXXXXXXX

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Caro Xxxx


Em novembro do ano passado, o Brasil modificou todo o seu sistema de tributação internacional. O efeito disso foi tornar mais difícil para uma empresa brasileira manter filiais no exterior (parece que o governo não está muito interessado na internacionalização de empresas brasileiras, apesar do discurso).

Além disso, temos que considerar que as empresas brasileiras que exportam serviços têm alguns benefícios tributários. 

Assim, pode ser que seja mais vantajoso para você concentrar seus rendimentos no Brasil, especialmente levando em conta a tributação nos EUA. 

Contudo, outros modelos podem ser mais econômicos, especialmente levando em conta a abertura de empresas em países de tributação mais reduzida. 

Sugiro que marquemos uma conversa para discutir seu projeto.


Abraços, 

Adler